Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acendeu um sinal de alerta ao investigar notificações de efeitos adversos graves, incluindo casos de pancreatite e mortes suspeitas associadas ao uso de medicamentos para emagrecer (como a semaglutida e a tirzepatida). Para esclarecer os riscos e a importância do critério médico, o Dr. José Afonso Sallet, diretor do Instituto de Medicina Sallet, concedeu uma entrevista exclusiva à BandNews TV.
O especialista reforça que, embora as “canetas” sejam ferramentas eficazes no combate à obesidade, o uso indiscriminado e sem acompanhamento pode expor o paciente a perigos evitáveis.
O que causa a pancreatite no uso desses medicamentos?
Segundo o Dr. Sallet, a relação entre o uso das canetas emagrecedoras e a inflamação do pâncreas (pancreatite) ocorre principalmente por duas vias:
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Formação de Cálculos Biliares: O emagrecimento rápido promovido pela medicação pode desequilibrar a produção de colesterol e ácidos biliares, levando à formação de microcálculos na vesícula. Esses cálculos podem migrar e obstruir o canal do pâncreas [02:42].
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Ação Direta no Pâncreas: O princípio ativo atua nas células beta do pâncreas para aumentar a produção de insulina, o que, em casos raros, pode gerar uma reação inflamatória direta [03:01].
O papel mandatório do ultrassom antes do tratamento
Um dos pontos mais importantes destacados pelo Dr. Sallet é a prevenção. Cerca de 20% a 25% da população possui “pedras na vesícula” sem apresentar sintomas. Se essa pessoa inicia o uso de semaglutida sem saber, o risco de uma complicação grave aumenta drasticamente.
“O exame de ultrassom da vesícula e das vias biliares é mandatório antes de iniciar o tratamento. Se houver cálculos, o uso da medicação deve ser evitado ou postergado até o tratamento cirúrgico da vesícula”, alerta o médico.
Equilíbrio entre risco e benefício
Apesar dos alertas, o Dr. Sallet esclarece que não há motivo para alarde generalizado, mas sim para vigilância. Os casos notificados são raros proporcionalmente aos milhões de usuários no Brasil.
O emagrecimento induzido por essas medicações (ou por outros métodos como a cirurgia bariátrica e o balão intragástrico) traz benefícios imensos, incluindo a remissão do diabetes tipo 2 em até 90% dos casos e a melhora da apneia do sono e de riscos cardiovasculares.
Dicas de segurança para o paciente:
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Fuja do uso estético: A medicação deve ter indicação clínica para obesidade ou sobrepeso com doenças associadas.
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Cuidado com a procedência: Evite produtos manipulados sem o devido controle ou procedência duvidosa para fugir de falsificações.
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Acompanhamento Transdisciplinar: O sucesso e a segurança dependem de uma equipe que domine não apenas a prescrição, mas também o diagnóstico de possíveis efeitos colaterais.
Assista à análise técnica completa do Dr. Sallet no canal da Band Jornalismo.



