A nova diretriz da OMS coloca as terapias com agonistas de GLP‑1 e GIP no centro do tratamento de longo prazo da obesidade em adultos, mas com recomendações condicionais e forte ênfase em acompanhamento comportamental e acesso equitativo. As novas regras também reforçam a importância do reconhecimento da obesidade como doença crônica, recidivante e pertinente a cuidado contínuo, integrado e multiprofissional.
O que a OMS passou a recomendar
A OMS publicou em 1º de dezembro de 2025 sua primeira diretriz global sobre o uso de agonistas de GLP‑1 (como semaglutida, tirzepatida e liraglutida) especificamente para tratar obesidade em adultos. A recomendação é condicional: reconhece eficácia consistente na redução de peso e melhora metabólica, mas destaca incertezas de longo prazo, alto custo e limitações de oferta mundial.
A diretriz é direcionada a adultos com IMC ≥ 30 kg/m², exceto gestantes, e reforça que a obesidade deve ser manejada como doença crônica, com perspectiva de tratamento por toda a vida. A OMS também relembra que, em setembro de 2025, incluiu GLP‑1 na Lista Modelo de Medicamentos Essenciais para diabetes tipo 2 em grupos de alto risco, o que fortalece o papel dessa classe dentro das políticas públicas.
GLP‑1: sempre com mudança de estilo de vida
A segunda grande mensagem da diretriz é que o uso de GLP‑1 nunca deve caminhar sozinho. A OMS orienta que as medicações sejam sempre associadas a terapia comportamental intensiva, com metas estruturadas de atividade física, plano alimentar com restrição calórica, sessões regulares de aconselhamento e monitorização contínua dos resultados.
Essa combinação é apontada como a melhor estratégia para potencializar e manter, no longo prazo, os benefícios da perda de peso e do controle metabólico. A organização destaca que, mesmo com resultados expressivos dos GLP‑1, eles não substituem políticas de alimentação saudável, promoção de atividade física e ações populacionais contra obesidade.
Benefícios clínicos e limites atuais
Os estudos que embasam a diretriz mostram que os agonistas de GLP‑1 podem levar a perda de peso relevante, melhorar glicemia, pressão arterial, perfil lipídico e reduzir risco cardiovascular e complicações renais em pessoas com obesidade, especialmente quando há diabetes tipo 2 associado.
Por isso, a necessidade de integrar GLP‑1 em uma linha de cuidado contínua, em vez de enxergá‑los como solução isolada ou de curto prazo. Na prática, isso significa: triagem criteriosa de IMC e comorbidades, discussão franca sobre expectativas, efeitos adversos e duração do tratamento, além de acompanhamento multiprofissional próximo.
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